Tecnologia

Drones, sensores e IA: como a tecnologia entrou de vez no campo tocantinense

A digitalização do agronegócio no Tocantins ganhou escala com soluções que monitoram lavouras em tempo real e abrem caminho para culturas inéditas no estado.

O Tocantins vive uma transformação silenciosa, mas profunda, dentro das propriedades rurais. Ao longo dos últimos anos, ferramentas que antes pareciam restritas a grandes centros de pesquisa passaram a aparecer nas fazendas do cerrado tocantinense: drones mapeando lavouras, sensores detectando pragas em tempo real, algoritmos de inteligência artificial analisando imagens aéreas para prevenir perdas na safra. Esse cenário ganhou visibilidade durante a Agrotins 2026, maior feira agrotecnológica da Região Norte, realizada em maio no Parque Agrotecnológico de Palmas.

A pergunta que muitos produtores fazem é se essa tecnologia serve apenas para quem já é grande ou se há espaço para o médio e pequeno produtor nesse novo campo digital. A resposta que começou a se desenhar na feira aponta para um caminho mais inclusivo do que se poderia imaginar.

Visão computacional e inteligência artificial entram nas lavouras de soja e milho

As áreas demonstrativas da Agrotins 2026 apresentaram tecnologias baseadas em visão computacional, drones e sensores inteligentes voltados ao monitoramento de lavouras de soja e milho no Cerrado. Os sistemas utilizam aprendizado de máquina para identificar pragas, doenças e falhas produtivas em tempo real, aumentando a precisão no manejo agrícola e reduzindo perdas no campo. Issoetocantins

A combinação entre drones e inteligência artificial resolve um problema concreto do produtor: a detecção precoce de ameaças. Entre as pragas monitoradas estão a Helicoverpa Armigera e o bicudo-do-algodoeiro. Pesquisas apoiadas pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Tocantins (Fapt) utilizam imagens aéreas para mapear lavouras com alta precisão, enquanto armadilhas inteligentes desenvolvidas em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) monitoram insetos e condições climáticas em tempo real. Esses sistemas reduzem o tempo de resposta, que na lavoura pode significar a diferença entre uma colheita saudável e prejuízos expressivos. Issoetocantins

Outro destaque foi a contribuição da Universidade Estadual do Tocantins. A Unitins desenvolveu uma solução baseada em inteligência artificial que integra dados das armadilhas ao histórico climático da região, gerando alertas automáticos para os produtores. A conexão entre academia e campo nunca foi tão direta no estado. Issoetocantins

Baunilha do Cerrado e lúpulo: novas culturas abrem janelas econômicas

Além das inovações voltadas às culturas tradicionais, a Agrotins 2026 surpreendeu ao expor experimentos com espécies que nunca fizeram parte do calendário agrícola tocantinense. As vitrines tecnológicas destacaram o cultivo experimental de baunilha do Cerrado e de lúpulo, reforçando a aposta na diversificação produtiva. Gazeta do Cerrado

A baunilha do Cerrado tem valor agregado significativo. A espécie, conhecida como baunilha-banana, é uma orquídea com potencial de uso nas indústrias alimentícia, cosmética e farmacêutica. No espaço da feira foram desenvolvidos experimentos com variedades como Vanilla pompona e Vanilla chamissonis, em um modelo que simula o cultivo comercial, facilitando etapas como polinização, manejo e colheita. O projeto é conduzido em parceria com o Instituto Federal do Tocantins (IFTO) a partir de espécies coletadas na própria região. Voz do Bico

Já o lúpulo é uma aposta na cadeia cervejeira. O técnico do Ruraltins João Roque destacou que o lúpulo é a principal matéria-prima da cerveja e que o Brasil ainda importa entre 98% e 99% do produto, principalmente dos Estados Unidos e da Alemanha. Com a produção local, surge a oportunidade de fornecer um insumo mais fresco e de melhor qualidade para as cervejarias. A viabilização do cultivo no Tocantins abriria uma cadeia produtiva quase inexistente no país, com impacto direto para pequenos produtores do interior. Voz do Bico

Desafios ainda persistem: conectividade e custo seguem como entraves

A adoção de tecnologia no campo tocantinense avançou, mas não de forma uniforme. A desigualdade no acesso à internet em áreas rurais, os custos de implementação de sistemas digitais e a necessidade de capacitação técnica ainda limitam a adoção plena dessas tecnologias. Esses obstáculos exigem políticas públicas contínuas e parcerias com o setor privado para garantir que a transformação digital seja inclusiva. Diario do Tocantins

A segurança dos sistemas digitais é outro ponto de atenção crescente. Com o aumento da automação e da dependência de sistemas conectados, a vulnerabilidade a ataques cibernéticos cresce proporcionalmente. Isso exige investimentos em infraestrutura de proteção, treinamento de usuários e desenvolvimento de protocolos específicos para o ambiente rural. É um desafio que o agronegócio brasileiro ainda está começando a enfrentar com seriedade, e o Tocantins tem a oportunidade de sair na frente ao vincular essa agenda à sua vocação agropecuária. O estado que aprendeu a produzir soja no cerrado pode, com os mesmos princípios de inovação, liderar também a agricultura digital da Região Norte. Diario do Tocantins

Fontes: Diário do Tocantins — diariodotocantins.com.br | Isso é Tocantins — issoetocantins.com.br | Agência Tocantins — agenciatocantins.com.br

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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