Capacitação do IFTO mostra como modelos digitais podem reduzir erros, melhorar orçamentos e aumentar a eficiência de projetos de infraestrutura.
A tecnologia BIM começa a ganhar espaço como ferramenta estratégica para tornar projetos de infraestrutura mais eficientes, previsíveis e integrados. No Tocantins, o Instituto Federal do Tocantins (IFTO) iniciou uma capacitação de servidores da área de infraestrutura para utilizar a metodologia na elaboração e gestão de projetos de edificações. A formação envolve engenheiros, arquitetos e técnicos e inclui etapas relacionadas a projetos, instalações, compatibilização, orçamento e auditoria.
Mais do que uma atualização de software, o BIM representa uma mudança na maneira como uma obra é planejada e acompanhada. A metodologia permite reunir em modelos digitais informações sobre arquitetura, estrutura, instalações, materiais, custos e prazos, criando uma visão integrada do empreendimento. Para um estado que precisa ampliar infraestrutura, modernizar equipamentos públicos e melhorar a eficiência dos investimentos, essa transformação pode ter efeitos relevantes. A questão é entender como essa tecnologia funciona, quais problemas ela ajuda a evitar e por que sua adoção pode ganhar importância nos próximos anos.
Por que o BIM pode reduzir problemas antes mesmo de uma obra começar?
O principal diferencial do BIM está na possibilidade de analisar virtualmente diferentes componentes de uma construção antes que eles sejam executados. Em um projeto tradicional, problemas de compatibilidade entre instalações elétricas, hidráulicas, estruturais e arquitetônicas podem ser identificados apenas durante etapas mais avançadas da obra. Com um modelo digital integrado, parte dessas incompatibilidades pode ser detectada antecipadamente, permitindo correções ainda na fase de planejamento.
Essa capacidade tem impacto direto sobre custos e prazos. Quando uma alteração precisa ser feita durante a execução, a correção pode envolver compra adicional de materiais, retrabalho, contratação de mão de obra e mudanças no cronograma. Ao antecipar a identificação do problema, o projeto ganha maior previsibilidade e as equipes conseguem trabalhar com informações mais organizadas. O resultado esperado é uma obra com menor dependência de improvisações e maior controle sobre suas diferentes etapas.
A metodologia também pode facilitar a elaboração de quantitativos, permitindo relacionar os elementos representados no modelo às informações necessárias para o planejamento da construção. Isso é particularmente importante em projetos públicos, nos quais estimativas de custos, planejamento e fiscalização possuem peso significativo na aplicação dos recursos. No caso do IFTO, a capacitação inclui justamente conteúdos relacionados a quantitativos, orçamento baseado no SINAPI e auditoria.
Para o Tocantins, a adoção desse tipo de tecnologia pode ser relevante em áreas que dependem de obras públicas e privadas para crescer. Escolas, unidades administrativas, laboratórios, estruturas logísticas, empreendimentos comerciais e instalações voltadas ao agronegócio são exemplos de projetos nos quais maior integração das informações pode contribuir para decisões mais precisas. A transformação digital, nesse contexto, deixa de ser apenas uma questão tecnológica e passa a fazer parte da estratégia de desenvolvimento regional.
O que muda para governos, empresas e profissionais da construção?
A expansão do BIM também modifica o perfil de profissionais envolvidos em projetos de engenharia e arquitetura. Não basta dominar ferramentas digitais isoladamente: torna-se cada vez mais importante compreender como diferentes áreas podem compartilhar informações dentro de um mesmo ambiente de trabalho. Engenheiros, arquitetos, técnicos, gestores e responsáveis por orçamento precisam atuar de maneira mais integrada para aproveitar plenamente os benefícios da metodologia.
Essa mudança pode criar oportunidades de qualificação no mercado de trabalho tocantinense. A própria capacitação promovida pelo IFTO demonstra que instituições de ensino e órgãos públicos estão incorporando conhecimentos relacionados ao BIM ao desenvolvimento de suas equipes. A formação atual tem 60 horas e foi organizada em três etapas, incluindo arquitetura e documentação, sistemas de instalações, compatibilização, orçamento e auditoria.
Para empresas de construção e escritórios de projetos, a tecnologia pode representar uma vantagem competitiva. Um modelo mais completo facilita a comunicação com clientes, fornecedores e equipes responsáveis pela execução, além de permitir que alterações sejam visualizadas de maneira mais clara. Em projetos maiores, essa integração pode ajudar a reduzir ruídos de comunicação e melhorar o acompanhamento das decisões tomadas durante o desenvolvimento da obra.
No setor público, o potencial é ainda mais amplo porque o planejamento de infraestrutura precisa considerar não apenas a construção, mas também custos, manutenção e desempenho dos ativos ao longo do tempo. A adoção do BIM está relacionada à Estratégia Nacional de Disseminação do Building Information Modelling, estabelecida pelo governo federal, e encontra respaldo no marco de contratações públicas criado pela Lei nº 14.133/2021.
Isso significa que a tendência não deve ser analisada como uma simples novidade tecnológica. Conforme órgãos públicos, empresas e instituições de ensino desenvolvem capacidade técnica, o BIM pode se tornar parte mais frequente da preparação de projetos e da gestão de obras. Para profissionais do Tocantins, acompanhar essa evolução pode significar ampliar oportunidades em engenharia, arquitetura, construção civil, planejamento e gestão de infraestrutura.
Como essa transformação pode influenciar os próximos projetos no Tocantins?
A experiência do IFTO pode funcionar como um indicativo de uma mudança mais ampla na forma de planejar infraestrutura no estado. A capacitação não está limitada à criação de modelos tridimensionais, pois envolve também compatibilização, orçamento e auditoria. Essa combinação mostra que o objetivo é utilizar os dados do projeto para apoiar decisões durante diferentes momentos do ciclo de uma obra.
O próximo passo tende a ser ampliar a capacidade das equipes para transformar esses modelos em instrumentos permanentes de gestão. Isso pode incluir maior integração entre projetos, orçamentos, cronogramas e acompanhamento da execução. Em um cenário de digitalização crescente, quanto mais cedo os profissionais estiverem preparados para trabalhar com informações estruturadas, maior poderá ser a capacidade das organizações de planejar investimentos e controlar resultados.
Há também uma dimensão regional. O Tocantins possui demandas relacionadas à expansão urbana, logística, educação, produção agropecuária e serviços públicos, setores nos quais infraestrutura adequada pode influenciar diretamente a produtividade. Tecnologias capazes de melhorar o planejamento dessas estruturas podem contribuir para reduzir desperdícios e aumentar a previsibilidade dos investimentos, embora os resultados dependam da qualidade dos projetos, da capacitação das equipes e da correta utilização dos dados.
A tendência, portanto, é que o BIM deixe de ser percebido apenas como uma ferramenta utilizada por especialistas e passe a fazer parte de uma transformação mais ampla na construção e na gestão de ativos. Com novas capacitações previstas no IFTO para setembro e outubro, a instituição continuará aprofundando conhecimentos sobre instalações, compatibilização, orçamento e auditoria.
Para o Tocantins, acompanhar esse movimento pode ser estratégico. Em vez de esperar que problemas apareçam durante a execução de uma obra, a digitalização permite aumentar a capacidade de antecipar cenários e tomar decisões com mais informação. À medida que governos, empresas e profissionais adotarem essa lógica, o diferencial poderá estar menos em construir mais rapidamente e cada vez mais em planejar melhor antes de construir.
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