O setor elétrico brasileiro terá uma nova disputa por concessões de infraestrutura em 30 de outubro de 2026. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) confirmou a realização do Leilão de Transmissão nº 4/2026, que será realizado na sede da B3, em São Paulo. A previsão é movimentar R$ 8,9 bilhões em investimentos na implantação dos empreendimentos.
O certame reunirá oito lotes distribuídos por sete estados: Bahia, Goiás, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Paraná, Rondônia e São Paulo. A iniciativa faz parte do planejamento de expansão da rede de transmissão e envolve obras destinadas a ampliar a infraestrutura responsável pelo transporte de energia elétrica entre diferentes regiões do país.
De acordo com a Agência Nacional de Energia Elétrica, o edital foi aprovado e a data do leilão foi confirmada em 22 de setembro de 2026. A disputa está prevista para ocorrer presencialmente na bolsa, instituição que tradicionalmente sedia leilões de concessões e ativos de infraestrutura no Brasil.
O que está previsto nos oito lotes
Os projetos contemplam a construção de 1.866 quilômetros de novas linhas de transmissão e seccionamentos. Também está prevista a continuidade de 483 quilômetros de linhas existentes. O conjunto de obras inclui ainda a instalação de 12.694 megavolt-amperes (MVA) em capacidade de transformação, além da continuidade de outros 600 MVA.
Na prática, as linhas de transmissão formam os corredores de longa distância que conectam áreas de geração aos centros de consumo. Já as subestações e os equipamentos de transformação permitem adequar os níveis de tensão e organizar o fluxo de eletricidade no sistema. A dimensão dos projetos previstos no edital mostra que o leilão não se limita à construção de novos trechos, mas também envolve a ampliação e o reforço de estruturas já existentes.
O pacote inclui, ainda, quatro compensações síncronas. Esses equipamentos contribuem para o controle de características elétricas da rede, como tensão e estabilidade, especialmente em sistemas que precisam operar com diferentes perfis de geração e consumo. A presença desses dispositivos indica que parte das obras terá como foco não apenas aumentar a extensão da rede, mas também aprimorar suas condições de funcionamento.
Investimentos e geração de empregos
A estimativa divulgada pela Aneel é de R$ 8,9 bilhões em investimentos. O valor está associado à implantação dos empreendimentos previstos nos oito lotes, que serão disputados por interessados nas concessões de transmissão. A realização do leilão abre uma etapa competitiva para definir os responsáveis pelos projetos, conforme as regras estabelecidas no edital.
Durante a fase de implantação, a agência prevê a criação de 20.312 empregos. A projeção inclui as atividades relacionadas à construção das linhas, à instalação de equipamentos e à execução das obras de infraestrutura nos sete estados contemplados. Como os projetos estão espalhados por diferentes regiões, os efeitos econômicos da implantação também poderão alcançar cadeias locais de serviços, fornecedores e mão de obra.
Bahia, Goiás, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Paraná, Rondônia e São Paulo terão empreendimentos diretamente associados ao leilão. O Tocantins não está entre os estados listados para esta edição, mas a expansão da rede de transmissão tem alcance nacional porque o sistema elétrico brasileiro é interligado. Por isso, reforços realizados em uma região podem fazer parte de uma estratégia mais ampla de integração e segurança do fornecimento.
Por que a transmissão é estratégica
A expansão da transmissão acompanha a necessidade de conectar novas áreas produtoras de energia aos locais onde está concentrada a demanda. A modernização da rede também se torna relevante diante da diversificação da matriz elétrica e da presença crescente de fontes renováveis, cuja geração pode variar conforme as condições naturais. Nesse cenário, linhas, subestações, transformadores e equipamentos de controle precisam trabalhar de forma coordenada.
O Leilão de Transmissão nº 4/2026 chega, portanto, como uma iniciativa de infraestrutura com efeitos que ultrapassam os limites dos estados diretamente atendidos pelos lotes. O resultado poderá definir os responsáveis pela execução de obras de grande porte e estabelecer os próximos passos para a implantação dos projetos. A data marcada pela Aneel é 30 de outubro de 2026, na sede da B3, em São Paulo.




