Levantamento do Dieese e da Conab aponta feijão e arroz entre os principais vilões do orçamento das famílias tocantinenses.
O custo de vida voltou a pesar no bolso de quem mora em Palmas. Segundo dados divulgados pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos, em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento, o preço da cesta básica na capital tocantinense subiu 3,01% em junho de 2026, na comparação com o mês anterior. O percentual colocou Palmas na segunda posição entre as capitais brasileiras que mais sentiram o encarecimento dos alimentos no período, atrás apenas de Boa Vista, que teve alta de 3,28%. O valor total do conjunto de itens básicos na cidade chegou a R$ 790,23, um patamar que reacende a discussão sobre o poder de compra do trabalhador e sobre a distância entre o salário mínimo vigente e o que seria necessário para sustentar uma família segundo os critérios da Constituição Federal.
O que motivou o aumento da cesta básica em Palmas
O principal responsável pela alta foi o feijão carioca, que teve reajuste de 18,38% em um único mês e já acumula 51,43% de valorização no ano. A explicação está na redução da área cultivada e nas condições climáticas desfavoráveis, que afetaram tanto a primeira quanto a segunda safra do grão em diferentes regiões produtoras do país. Além do feijão, o arroz agulhinha, a carne bovina de primeira e o leite integral também pressionaram o índice, ainda que em ritmo mais moderado. A carne teve alta de 0,80% no mês, número pequeno se comparado ao do feijão, mas que soma-se a uma cesta de produtos já pressionada. Esses quatro itens costumam concentrar boa parte do peso do índice justamente porque aparecem com frequência na mesa das famílias tocantinenses, o que torna qualquer oscilação de preço mais sentida no dia a dia.
Colocando Palmas no contexto nacional, o levantamento mostrou que a cesta básica ficou mais cara em 17 das 27 capitais pesquisadas, enquanto caiu nas outras dez, sete delas na região Nordeste. São Paulo manteve a liderança como a cidade com o item mais caro do país, a R$ 965,47, seguida por Cuiabá, Rio de Janeiro e Florianópolis. Do lado oposto, Aracaju registrou a cesta mais barata, a R$ 630,40. A comparação evidencia que, mesmo distante dos valores absolutos das capitais do Sudeste e do Centro Oeste, Palmas chamou atenção justamente pela velocidade do reajuste mensal, sinal de que fatores climáticos e logísticos específicos da região Norte pesaram de forma mais intensa sobre o consumidor local em junho.
Quanto pesa no bolso do trabalhador tocantinense
Para quem recebe o salário mínimo de R$ 1.621, o impacto é direto. Segundo o cálculo do Dieese, 52,70% da renda líquida do trabalhador, já descontada a contribuição à Previdência Social, precisa ser destinada apenas à compra dos itens que compõem a cesta básica em Palmas. Na prática, isso significa que o palmense precisou trabalhar cerca de 107 horas e 15 minutos ao longo do mês somente para garantir a alimentação básica da família, tempo superior ao registrado em maio, quando a jornada necessária foi de 104 horas e 7 minutos. O aumento no tempo de trabalho reflete de forma bastante concreta como a inflação de alimentos consome parcela cada vez maior da rotina de quem vive de salário fixo.
O acumulado do ano também preocupa. Entre janeiro e junho de 2026, o preço da cesta básica em Palmas já subiu 16,62%, enquanto a variação nos últimos doze meses chegou a 10,16%. Com base no valor da cesta mais cara do país, hoje registrada em São Paulo, o Dieese calcula mensalmente qual deveria ser o salário mínimo ideal para cobrir despesas como alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, transporte e previdência, conforme prevê a Constituição Federal. Em junho, esse valor chegou a R$ 8.110,92, o equivalente a cinco vezes o piso nacional vigente. A diferença entre o salário mínimo real e o ideal calculado pela entidade mostra o tamanho do desafio enfrentado por famílias que dependem exclusivamente desse rendimento para sobreviver.
O que pode acontecer nos próximos meses
A tendência de preços para os próximos meses depende diretamente do comportamento do clima e da oferta de grãos nas principais regiões produtoras do Brasil. Como o feijão foi o item de maior peso na alta de junho, a evolução da safra seguinte tende a ser determinante para saber se os preços vão recuar ou continuar pressionando o orçamento das famílias. Especialistas em abastecimento costumam apontar que oscilações desse tipo tendem a se equilibrar ao longo dos meses seguintes, à medida que novas safras chegam ao mercado, mas a volatilidade climática registrada nos últimos anos tem tornado essas previsões menos previsíveis do que no passado.
No Tocantins, a produção agrícola local também entra na equação. O estado vem investindo em programas de apoio a pequenos produtores, como o Programa de Aquisição de Alimentos, que tem ajudado a aproximar a produção regional do consumidor final em Palmas e em outras cidades. Iniciativas desse tipo, somadas ao acompanhamento constante feito pela Conab e pelo Dieese, permitem que o poder público e a sociedade tenham mais clareza sobre quais produtos merecem atenção prioritária. Ainda assim, a expectativa entre analistas de mercado é de que o segundo semestre continue sendo marcado por variações mês a mês, exigindo atenção redobrada do consumidor na hora de planejar as compras.
O cenário reforça a importância de acompanhar de perto os próximos levantamentos do Dieese e da Conab, já que decisões de política de abastecimento e eventuais medidas de apoio a produtores tendem a ser anunciadas justamente em resposta a dados como os divulgados neste mês. Para as famílias de Palmas, a recomendação de especialistas em economia doméstica é buscar alternativas de compra em feiras locais e programas de agricultura familiar, que costumam oferecer preços mais estáveis do que o varejo tradicional. A expectativa é de que a divulgação da pesquisa referente a julho, prevista para as próximas semanas, traga um retrato mais claro sobre se a trajetória de alta observada em junho deve se manter ou perder força nos próximos meses.
Fontes consultadas:
https://www.dieese.org.br/analisecestabasica/2026/202606cestabasica.html
https://www.gov.br/conab
https://conexaoto.com.br/2026/07/08/com-alta-de-301-palmas-tem-um-dos-maiores-aumentos-na-cesta-basica-do-pais
https://soudepalmas.com.br/palmas/palmas-registra-a-segunda-maior-alta-no-preco-da-cesta-basica-do-brasil-e-aumento-chega-a-301-em-junho




