Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais substitui certificações tradicionais como CPA-10, CPA-20 e CEA por uma nova trilha de formação, que passa a avaliar capacidade analítica e comportamental dos profissionais, além do conhecimento técnico
A partir de 2026, profissionais que atuam na distribuição e na análise de produtos de investimento no Brasil passam por uma mudança relevante na forma como comprovam sua qualificação técnica. A Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais aposentou as certificações CPA-10, CPA-20 e CEA, historicamente adotadas como referência mínima de conhecimento técnico na indústria financeira, substituindo-as por uma nova trilha de formação estruturada em torno de uma certificação de entrada seguida de módulos especializados voltados a diferentes frentes de atuação, como relacionamento com cliente e adequação de perfil de risco, ou construção de carteiras e estratégias de investimento.
A mudança nasceu de um diagnóstico conduzido pela própria associação, que identificou que o modelo anterior de certificação valorizava excessivamente a memorização técnica de conceitos, sem avaliar de forma consistente a capacidade do profissional de analisar cenários reais, comunicar-se adequadamente com o cliente e tomar decisões diante de situações práticas do dia a dia do mercado. As novas provas passam a incorporar estudos de caso, situações que simulam dilemas éticos e avaliação de habilidades comportamentais, em vez de se concentrarem exclusivamente em questões técnicas objetivas.
Formação em camadas substitui certificação única e genérica
O novo modelo estrutura a qualificação profissional em camadas sucessivas, começando por uma certificação de entrada obrigatória para qualquer profissional que deseje atuar na distribuição de produtos financeiros, seguida por módulos específicos conforme a frente de atuação de cada profissional. Um especialista voltado ao relacionamento direto com o cliente e à análise de adequação de perfil de risco segue uma trilha de especialização diferente daquela voltada a profissionais dedicados à análise técnica de produtos de investimento e à construção de carteiras, ainda que ambos compartilhem a mesma base de certificação inicial.
Para Lidiane dos Santos, diretora da ID CTVM, essa segmentação reflete uma compreensão mais precisa das diferentes competências exigidas dentro da cadeia do mercado de capitais:
“Um profissional que atua diretamente com o investidor final precisa de habilidades muito diferentes daquelas exigidas de quem trabalha na análise técnica de produtos estruturados. A antiga certificação única tentava avaliar competências bastante distintas com o mesmo instrumento. O novo modelo reconhece essa diferença e cobra de cada profissional exatamente o conjunto de habilidades relevante para sua atuação específica, o que tende a elevar a qualidade técnica da indústria como um todo ao longo do tempo”, avalia a executiva.
Capacitação técnica se estende às equipes de administração fiduciária
Ainda que as novas certificações estejam mais diretamente associadas a profissionais de distribuição e assessoria de investimentos, a exigência crescente por qualificação técnica também se reflete nas equipes internas de administradores fiduciários, responsáveis por interpretar corretamente as características de risco de cada estrutura sob sua administração e por comunicar essas informações com precisão a gestoras, distribuidores e investidores finais. Um administrador fiduciário com equipe tecnicamente atualizada tende a produzir informação mais clara e consistente sobre os fundos que administra, o que beneficia toda a cadeia de distribuição que depende dessa informação para orientar investidores.
A ID CTVM, habilitada pela Comissão de Valores Mobiliários e pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais para atuar em administração fiduciária, custódia qualificada e controladoria, mantém programas internos de capacitação técnica alinhados à evolução regulatória e às novas exigências de qualificação profissional que se consolidam na indústria brasileira de fundos de investimento.
Transição gradual evita ruptura na qualificação já existente
A associação estabeleceu um período de transição para profissionais já certificados sob o modelo anterior, permitindo que migrem para a nova estrutura por meio de certificações complementares específicas, sem a necessidade de reiniciar todo o processo de qualificação do zero. Esse desenho gradual busca evitar uma ruptura abrupta na qualificação de milhares de profissionais já ativos no mercado, ao mesmo tempo em que direciona a indústria, de forma consistente, para o novo padrão de avaliação nos próximos anos.
Avaliação comportamental reduz peso da memorização em provas técnicas
Um dos aspectos mais comentados da nova trilha de certificação é a incorporação de estudos de caso que simulam situações reais de atendimento ao investidor, nas quais o profissional precisa identificar, diante de um cenário descrito na prova, qual conduta seria mais adequada do ponto de vista ético e técnico, em vez de apenas reconhecer a definição correta de um conceito financeiro. Essa mudança metodológica busca aproximar o processo de certificação da realidade prática enfrentada por quem atua na linha de frente do relacionamento com o investidor, onde a capacidade de comunicar um conceito complexo de forma acessível costuma ser tão relevante quanto o domínio técnico do conceito em si.
Perspectivas para a qualificação técnica da indústria financeira
Com a nova trilha de certificação priorizando capacidade analítica e comunicação com o cliente, além do conhecimento técnico tradicional, a expectativa é que a qualidade da orientação prestada a investidores brasileiros se eleve de forma consistente nos próximos anos. Para administradores fiduciários e demais participantes da cadeia do mercado de capitais, acompanhar essa evolução na formação de profissionais, tanto nas equipes internas quanto entre os parceiros de distribuição, deve seguir como um fator relevante para sustentar a confiança de investidores em um mercado que amplia continuamente sua sofisticação técnica.
Sobre a ID CTVM
A ID CTVM é uma instituição especializada em infraestrutura para o mercado de capitais, com serviços de administração fiduciária, custódia, escrituração, controladoria e distribuição de fundos de investimento. Fundada em 2020, a companhia reúne atualmente mais de 550 fundos e mais de R$ 50 bilhões sob administração e custódia, com presença relevante em estruturas como FIDCs, FIPs e FIIs. Combinando tecnologia, governança, conhecimento regulatório e eficiência operacional, a ID oferece suporte a gestores, investidores, empresas e demais participantes do mercado, contribuindo para operações mais seguras, eficientes e transparentes.



